Filosofia aplicada - Perguntas ruidosas
| Artigo de Opinião |
Tendo em consideração crónicas antigas, como o absurdo da existência que nos faz questionar tudo, a alienação que nos isola de tudo, os perigos das crenças, a responsabilidade social dos profissionais de saúde, as questões associadas à dignidade dos nossos pacientes, a empatia, ou a ausência dela e a falta de sensibilidade de muitos colegas, e as imensas crises existenciais, onde podemos incluir a incerteza da nossa prática, a vulnerabilidade, e mais umas quantas ideias que queria escrever mas ainda não consegui... quero-vos dizer o seguinte:a) Reconheço o desconforto que as reflexões possam trazer por vezes;
Porque:
a1) Reconheço a importância dessas reflexões;
a2) Reconheço que às vezes não há somente boas respostas, como não há respostas de todo.
E isto cria um certo dilema... É importante reflectir, mas é tão desconfortável não ter resposta!
O que fazer com isto?
Desistir?
Desistir de reflectir?
Talvez o objectivo não seja haver respostas, mas antes haver perguntas, boas perguntas. Perguntas suficientemente ruidosas para incomodar o nosso comodismo, a nossa inércia, a nossa alienação, os nossos viés e crenças. E a dos outros também.
Infelizmente não sabemos muito sobre Sócrates, por ele, somente através de outros, mas ele era muito incómodo segundo contam. E foi ele que marcou profundamente outros filósofos, que vieram a construir algumas das raízes da Filosofia que estudamos actualmente.
Mas continuamos no mesmo ponto... O que fazer com as questões sem resposta?
Um vídeo, partilhado por uma colega (1) foi muito inspirador e até tranquilizador para a minha mente inquieta, e gostaria de partilhar convosco:
https://www.instagram.com/tv/CDMbaL4HrqH/?igshid=1abgmso77s5f2
“Recompensar o processo, não o objectivo” (Andrew Huberman)
Em vez de estarmos focados em objectivos tão longínquos, perfeitos e irrealistas por vezes, porque não focar na beleza do próprio processo?
Porquê focar no alvo (resposta), quando a procura (questões), a investigação, pode ser boa o suficiente. Mesmo sem respostas absolutamente certas (incerteza), as questões podem ser suficiente motor de mudança para nós.
Estudar para melhor agir, com a certeza que a incerteza nunca nos abandonará (crónicas prévias), mas que existe recompensa suficiente na tentativa.
Uma tentativa honesta, sensível e falível, como humanos que somos.
(fundamentada pela evidência disponível, centrada na pessoa, e com aceitação dos nossos limites humanos.)
Tentar. Tentar ser humano. Somente isso.
E nunca deixar de perguntar, por mais ruidoso que seja...
(1) Inspirado num vídeo partilhado pela colega Monserrat Conde, Ft.
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