Apresentação geral
Introdução...
A sensibilidade é inversamente proporcional à distância que nos separa dos problemas dos outros.
Tenho esta frase escrita na minha mente há muitos tempo, mas ainda não tinha tido coragem de começar este texto.
Se
pensarmos em sensibilidade, como o limiar necessário para atingir o
efeito pretentido (comparando com a actividade neuronal, por exemplo),
qual a quantidade necessária de estímulo para vocês se sensibilizarem
com a realidade dos outros?
Por vezes parece ser preciso termos
um familiar, amigo, vizinho, colega, de outra cor que a nossa, de outra
religião que a nossa, orientação sexual, identidade de género, origem
socioeconómica... que é doente, passa fome, sofre de bullying, é
desprezado pela família, vive em situação de guerra, foi abusado
sexualmente... para nos sensibilizarmos com o constrangimento que passam
no seu dia-a-dia.
Será que é preciso ver de perto a miséria, o
sofrimento, quer seja humano ou não, para sentirmos alguma
sensibilidade? Porquê...?
Talvez por não termos de todo a percepção dessa realidade, tão alheia à nossa.
Mas uma vez identificado esse problema, geralmente ficamos mais sensíveis aos mesmos, e até tentamos ajudar.
Tendo
em conta a necessidade desse contacto para estarmos sensíveis aos
problemas, permitam-se sensibilizar pela realidade dos outros.
Reduzam o vosso limiar.
Reduzam a distância que vos separa dos problemas dos outros.
Guardem
essa sensibilidade, essa percepção acrescida, para compreender mais e
melhor outros, independentemente da distância que vos separa.
E, é
na condição de profissional de saúde, que mais apelo a esta
sensibilidade acrescida: por estamos em contacto próximo dos nossos
pacientes, muitas vezes até despido de defesas, que maior
responsabilidade temos de estar sensíveis ao sofrimento alheio.
Por uma questão de sensibilidade...
Reflexões de uma Fisioterapeuta
Olá a todos,
Eu comecei a escrever reflexões/crónicas desde 2017 inspiradas em vários episódios do meu dia-a-dia profissional. Elas são fruto da interação com os meus pacientes, os meus colegas de profissão, e outros profissionais.
Com o avançar do tempo, comecei a inserir referências bibliográficas de forma mais consistente, de modo a tornar as reflexões mais ricas.
Estas crónicas tiveram início na página de Facebook, com o mesmo nome, antes de serem transportadas para aqui.
Os temas das crónicas estão divididos nos seguintes itens (etiquetas):
- Crise de identidade - questões incómodas que nos obrigam a reflectir acerca da nossa prática, da nossa postura,... o que raio andamos a fazer...
- Dignidade - referente essencialmente a situações de extrema vulnerabilidade dos pacientes, e que requerem muita sensibilidade... e que as pessoas deixem de ser bestas...
- Filosofia aplicada - a aplicação de conceitos de Filosofia (de quem sou muito fã) nas reflexões do dia-a-dia enquanto profissional de saúde... e que obrigam a uma reflexão muito mais profunda
- Papéis do Fisioterapeuta - textos de humor
- Reflexões - reflexões gerais, que não cabem nos outros itens/etiquetas...
- Sensibilidade - basicamente a base de uma boa parte das minhas reflexões, mas que ganhou o direito próprio a uma etiqueta só sua, pela quantidade de reflexões que já fiz nesse sentido...
E com isto...
Physio-Think-Tank Podcast
Mais recentemente criei um Podcast, em colaboração com o colega João Santos Neto.
O objectivo deste podcast é gerar advocacia e reflexão acerca de dor persistente neuro-músculo-esquelética.
- a necessidade de gerar resistência (Herbert Marcuse): anti-literacia da dor, nocebos, guruismo, egos, falta de ética, falta de empatia pelos pacientes/utentes;
- a aprendizagem transformativa de Mezirow: detectar dilemas, investigar, e moldar a nossa prática, sem julgamento.
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