Dignidade - Cuidados Paliativos
| Artigo de Opinião e Informação |
Em situações em que o objectivo dos cuidados de saúde já não é o de reabilitar, será que a Fisioterapia tem um papel a desempenhar
A resposta à primeira pergunta é sim. E o objectivo da intervenção da fisioterapia é:
- Manter as capacidades que a pessoa adquiriu ao longo do processo de reabilitação (ainda possível);
- Evitar uma perda demasiado abrupta das suas capacidades;
- Manter o mais elevado possível o nível qualidade de vida.
Se estiverem associados períodos de dor/fadiga/falta de ar e presença de secreções ou outros sintomas, estudam-se com o paciente:
- As melhores formas de gerir o dia, de acordo com o aparecimento dos sintomas (e.g., maior nível de actividade de manhã, agrupar o máximo de obrigações pessoais nesse período, etc);
- As melhores estratégias para gerir os próprios sintomas (e.g., estratégias não-farmacológicas para alívio da dor, redução das secreções, etc.)
Reduzir barreiras arquitectónicas, quando possível, ou treinar estratégias para contornar de forma mais rápida e segura as mesmas barreiras.
Já não com o objectivo de reabilitar, mas sim para:
- Ajudar na gestão dos sintomas (e.g., dor, fadiga, dormência, perturbação do sono, etc);
- Evitar perda das capacidades motoras ("mantê-las");
- Usufruir dos benefícios fisiológicos do exercício geral, com bem-estar do corpo-mente.
Preferencialmente a nossa intervenção deveria estar integrada numa equipa multidisciplinar, em colaboração com outros profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, e muito importante, assistentes sociais... Informe-se junto de um profissional de saúde para poder ser reencaminhado adequadamente.
Dignidade
A ideia da dignidade humana remonta para há muitos séculos atrás e é vastamente discutida em disciplinas como Política, Filosofia, Ética... e em Saúde, através da bioética (Convention for the Protection of Human Rights and Dignity of the Human Being with regard to the Application of Biology and Medicine: Convention on Human Rights and Biomedicine, 1997).
Especialmente por o paciente, em comparação com o profissional de saúde, estar numa situação de desequilíbrio de poder de decisão (doente, debilitado, acamado...), é importante defender/proteger os seus direitos, entre os quais se inclui a sua dignidade.
Nunca deixe de lutar pela sua dignidade (ou do seu familiar), seja em que situação.
Recomendações de leitura/ contacto:
Grupo de Trabalho de Fisioterapia em Cuidados Continuados e Paliativos
Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos
(Texto recuperado de Outubro 2017)
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